VICENTE VAN GOGH
(Substituto manifesto do conteúdo latente)
Daquilo que eu sei a respeito de Vicente Van Gogh é que passou por muitas provações, problemas de saúde, foi não foi era segregado da sociedade devido ao seu comportamento anormal. Fiquei sabendo agora de seu fim trágico... É que a pintura sempre foi e será uma arte de salão, e nunca está acessível ou a disposição, as obras de artes plásticas estão sempre em museus, exposições, e os livros didáticos reservam pouco espaço para os grandes pintores, geralmente o capítulo destinado as escolas de artes plásticas são apenas um complemento didático referente aos movimentos litero-culturais e suas diversas tendências. A arte Plástica é apenas um apêndice da disciplina de língua e literatura em nosso método pedagógico curricular por demais deficiente. Lamentavelmente não temos uma formação erudita. Há exceções, não podemos generalizar. Costa Matos, Cid Carvalho, Adísia Sá, só para citar alguns dos mais notáveis intelectuais de nossa terra e que dos quais desfrutamos da convivência.
Realmente, Van Gogh, é uma das maiores expressões da pintura, tenho mais familiaridade com o Pablo Picaço, mas só pela biografia vê-se que se trata de um artista extraordinário. Gostei do passeio pela floresta escura, irremediavelmente perdida em trilhas erradas. A meu ver você teve um sonho extraordinário, e essa “deixa” do passeio imaginário reforça a minha suposição. Um sonho simplesmente maravilhoso...
Há sonhos que a gente sonha acordado (os devaneios). Você compreende o que quero dizer: as fantasias costituem um mecanismo de defesa do qual todas as pessoas fazem uso. As pessoas se imaginam tirando a grande sorte na super-senna, isto é realização de desejos. Existem desejos conscientes e desejos inconscientes; agora, o desejo consciente somente se torna excitador de um sonho se ele se ligar a um desejo inconsciente que o reforça. Sonhos são realizações de desejos, mas os resíduos diurnos ou experiências tendem a buscar soluções de tarefas interrompidas através deles. Sonhos são textos construídos com imagens, mas tais imagens não são bem imagens, são palavras; as imagens são mensagens pictóricas, e os elementos do sonho (os resíduos diurnos) ficam como que distorcidos dos acontecimentos da vida cotidiana, e é essa ausência de sentido que se presta a uma tarefa de interpretação, senão vejamos: Você resolveu enviar Vicente Van Gogh, em arquivo, para os amigos e parentes. Em nota preliminar, demonstra toda a admiração pelo grande pintor holandês: Van Gogh é uma expressão de sensibilidade. Então, Vicente Van Gogh é o conteúdo manifesto, ou seja, o sonho que você está narrando, portanto se eu partir desse pressuposto (Vicente Van Gogh) e chegar ao desejo inconsciente (o conteúdo latente), eu interpretaria que você sonhou não com Vicente Van Gogh e sim com Vicente Alencar (resíduo diurno). Van Gogh era um freqüentador de cemitérios e isto concorreu para o seu desajuste emocional: foi o que você escreveu em nota que antecede o arquivo. Pegando essa deixa totalmente desconexa de nossa degustação intelectual, e, associando ao resíduo do estado de vigília (a sua experiência), o que você andou ouvindo da boca do Vicente Alencar a meu respeito como sendo o Augusto dos Anjos cearense (e o Augusto foi um poeta sombrio); lembre-se que você mesma teceu comentários a esse respeito, falando da influência de Augusto dos Anjos na minha escrita, outrossim em um de seus emeius, você diz que tenho muita sensibilidade. Em sua nota enigmática que antecede o arquivo, pode-se concluir que o conteúdo latente (o umbigo do sonho) é este amigo que lhe escreve agora. É que a CENSURA e a RESISTÊNCIA, esta que é a recusa do sonhador a fornecer associações e o seu julgamento crítico sobre o conteúdo do sonho. A verdade do desejo inconsciente é a verdade do desejo que não pode ser dita no plano da consciência; aquela é uma distorção responsável pela deformação a que são submetidos os pensamentos latentes. A censura não é a resistência, segundo Lacan. A censura não está nem no nível do sujeito nem do indivíduo mas se situa no nível do discurso, diz respeito às leis que regem as trocas simbólicas no interior de uma sociedade. A censura é, portanto, a responsável pela deformação onírica pelo deslocamento da ênfase de um elemento (Vicente Alencar, Terça em prosa e verso, Helder, Augusto dos Anjos, tudo isso sendo apenas uma representação-objeto) para outro (Vicente Van Gogh). O lirismo em meu último emeiu fez eclodir um desejo inconsciente, e esse seu desejo encontrou passagem no personagem Vicente Van Gohg cujo original é Vicente Alencar, uma pessoa bem próxima de mim por meio da poesia.
Interpretar é ir do conteúdo manifesto (Van Gogh) para o conteúdo latente ( Helder). É o fragmento do discurso que permite essa inferência. Quando você diz expressão de sensibilidade, o traço sensibilidade funciona como ponte para o conteúdo latente.
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