sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ALAMEDA DAS ALGAROBAS

Germana entre a figueira e a algaroba

Dormitando o tropel da solidão:

Comovedoramente o coração,

Sob as calhas de roda, _ a comitiva

Cavalga o sonho pênsil dessa horda

Primeva de alazões, variegada,

Sob a imemorial infância (cada)

Rondó de girassóis pulando corda.

Germana que dos galhos da algaroba,

A parábola salta feito cobra,

E faz do mundo um pálio aurifulgente...

E faz sentir, na música da rima,

Essa clave de sol que hoje ilumina

O sonho todo azul do meu presente.

O cheiro de algaroba, de loureiro,

O corpo roseiral, cingindo cada

Beltrano que caminha na calçada

Em noites serenosas de janeiro.

O fogo azul-marinho do primeiro

Amor, longe de ti fico beltrano,

Sou pássaro de fogo, aeroplano,

Estrela da manhã no teu viveiro.

Sonho lucífago, ácido quimera,

O teu corpo é um sol de primavera,

Intoxicando o sangue de lisérgico...

Meu navio navega ocultos mares,

Envolto na tormenta dos hangares,

Salvei teu nome a nado no meu léxico.


VITRAL: Poesias.

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