Mecanismos de defesa do ego contra perigos intrapsíquicos
Hoje eu gostaria de conversar com vocês sobre a REPRESSÃO. A gente costuma dizer que uma pessoa INIBIDA é uma pessoa que se reprimiu, ficou contida, fechada, só na dela. Um dia, conversando com o líder do grupo vocacional da paróquia do Sagrado Coração de Jesus a respeito de paquera, frei Benone (o então líder) olhou-me com um riso desconfiado e disse-me: Ah, não! Tímido não paquera! Benone tinha razão. A timidez é a expressão de um IMPULSO INIBIDO, quer dizer, a inibição é um mecanismo interno defensivo repressor. É o processo em virtude do qual a LIBIDO DO SISTEMA PRÉ-CONSCIENTE é subtraída, de modo que um ATO-PSÍQUICO não possa encontrar o caminho que conduz ao SISTEMA CONSCIENTE, e, portanto, tornando-se ou permanecendo inconsciente. Processo que impede o acesso do IMPULSO INSTINTIVO à motricidade, mas, ao mesmo tempo, mantém intata a sua carga de energia, a repressão constitui a fase preliminar da CONDENAÇÃO, de uma noção intermediária entre a CONDENAÇÃO e a FUGA DA CONDENAÇÃO PELA REPRESSÃO. A satisfação de um INSTINTO REPRIMIDO seria possível e agradável em si, mas inconciliável com outros princípios e aspirações. Por um lado causaria PRAZER, por outro, DESPRAZER. A repressão acontece quando o motivo de DESPRAZER adquire um poder superior ao do PRAZER em razão dos princípios éticos, isso só acontece se o SUPEREGO e o SENTIDO DE REALIDADE tiverem um grau SUFICIENTE DE DESENVOLVIMENTO. Antes de continuarmos, vamos elencar os motivos para a DEFESA CONTRA OS INSTINTOS. Segundo Fenichel, os motivos para defesa são (1) o ego teme o instinto; (2) porque teme o superego; (3) por causa da angústia derivada do sentido de realidade; (4) diante da força do instinto que pode dominar e desorganizar o ego; (5) pela necessidade de manter a síntese, ou seja, pelos conflitos entre tendências opostas. Agora continuemos. Reprimir é rechaçar, afastar do CONSCIENTE determinada lembrança, através de um esforço contínuo e permanente. As pessoas reprimidas vivem em constante dispêndio de energia e é por isso mesmo antieconômico. É como se o indivíduo desejasse manter um barril vazio afundado na água. Terá que usar um esforço ininterrupto, toda uma força tarefa, já que a sua interrupção permitiria ao barril vir à tona.
A REPRESSÃO TEM DUAS FASES;
Repressão primitiva ou repulsa, que afasta do campo da consciência a REPRESENTAÇÃO PSÍQUICA DO INSTINTO, o que provoca uma FIXAÇÃO, ou seja, a REPRESENTAÇÃO REPRIMIDA mantém-se imutável a partir desse momento, ficando o INSTINTO LIGADO a ela. Como exemplo disso temos a libido narcísica, que é o afeto ligado à pulsão sexual. A segunda é a representação propriamente dita, que recai sobre as RAMIFICAÇÕES PSÍQUICAS DA REPRESENTAÇÃO REPRIMIDA, ou sobre aquela série de IDÉIAS procedentes de fontes distintas, mas que se ligam ASSOCIATIVAMENTE ÁS REPRESENTAÇÕES. A repressão, portanto, é um PROCESSO SECUNDÁRIO. Consideremos, em primeiro lugar, a REPULSA que parte do EGO e depois a ATRAÇÃO que o PRIMITIVAMENTE REPRIMIDO exerce sobre tudo aquilo com que o indivíduo entrar em contato ASSOCIATIVO.
AS REPRESSÕES não alcançariam o objetivo, se essas duas FORÇAS OPOSTAS não atuassem ao mesmo tempo. O fato de que uma REPRESENTAÇÃO esteja reprimida isto não a impede de permanecer no inconsciente. O reprimido continua existindo no Id, que é a parte RECALCADA DO SISTEMA PSÍQUICO. O fato de estar reprimida não significa que não continue em ação através da CADEIA SIGNIFICANTE DE PENSAMENTOS INSCONCIENTES, criando ramificações e estabelecendo relações de objeto, constituindo assim o que se denomina COMPLEXO.
O COMPLEXO
O Complexo diz respeito a uma constelação de idéias inconscientes associadas, uma ASSOCIAÇÃO DE OBJETOS entre si, afetivamente carregada, e em particular, o COMPLEXO é sempre inconsciente, porque ele é o modo de que se vale o RECALCADO para ter acesso à consciência. O que a representação faz é impedir a relação com o sistema consciente e a atuação do INSTINTO NO MUNDO EXTERIOR. Quando dormimos, por exemplo, a energia psíquica da atenção diminui quase a nível zero, provocando uma subtração da energia consciente e uma correria das representações inconscientes para o consciente de maneira ALUCINATÓRIA, este é um dos momentos (o período do sono) para a REPRESENTAÇÃO INSTITUAL se desenvolver de forma muito mais livre; quando dormimos profundamente, quem assume o comando da casa é o INCONSCIENTE, e nesta região, a energia é livre, leve e solta. O sonho é a forma extrema da expressão do REPRIMIDO em nossa mente. As representações inconscientes são construídas a partir da relação do bebê com o seio da mãe; por volta dos quatro meses de vida, o bebê introjeta O OBJETO PARCIAL DO DESEJO (o seio materno); fantasiosamente, a mãe faz parte do corpo do bebê como sendo o AGALAMA (o bom objeto). Experiências traumáticas e vivências de satisfação como a interdição do pai (castração), e o seio bom, que dá leite e proporciona prazer ficam gravados no inconsciente. Os pensamentos diurnos, no adulto, preocupações, avidez, ciúmes e raiva são esquecidos ao comprido do dia, mas passam a existir do lado de fora da consciência, no pré-consciente. Essa CADEIA DE PENSAMENTOS PRÉ-CONSCIENTES é capturada pelas REPRESENTAÇÕES INCONSCIENTEES, aí os pensamentos são deformados, alucinados, transformados em imagens pictóricas.
Helder Alexandre Ferreira
Poeta e filósofo da Mente.
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