M A D E I R A M E S
Menina que morava na casa do canto,
Eu fiz do muro a passarela de lagartos,
Dei nome aos gatos e matei uma galinha.
Por tua causa me tornei um rapsodista,
Inverso a todo amor humano de Afrodite...
Meus pais pensavam se tratar de apendicite.
Naquela tarde o teu silvado tão solene,
Solo apropriado de minha agricultura,
Teu oceano de amargura em minha frente...
O pulso de teu rio ardeu em mim, sem lágrimas,
Quando de bicicleta pro Genibaú,
Por causa dessas ninfas da beira do rio.
Eu sou bastardo de Afrodite e sei nascemos,
Os dois nascemos cada qual de um deus distinto,
E eu sinto muito, e largo os remos de Afrodite.
CEM SONETOS DE AMOR, Helder Alexandre Ferreira
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