sábado, 27 de dezembro de 2008

M A D E I R A M E S


Menina que morava na casa do canto,

Eu fiz do muro a passarela de lagartos,

Dei nome aos gatos e matei uma galinha.

Por tua causa me tornei um rapsodista,

Inverso a todo amor humano de Afrodite...

Meus pais pensavam se tratar de apendicite.

Naquela tarde o teu silvado tão solene,

Solo apropriado de minha agricultura,

Teu oceano de amargura em minha frente...

O pulso de teu rio ardeu em mim, sem lágrimas,

Quando de bicicleta pro Genibaú,

Por causa dessas ninfas da beira do rio.

Eu sou bastardo de Afrodite e sei nascemos,

Os dois nascemos cada qual de um deus distinto,

E eu sinto muito, e largo os remos de Afrodite.


CEM SONETOS DE AMOR, Helder Alexandre Ferreira

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