sábado, 15 de novembro de 2008


Da companhia de desejos mutilados,


Como um lagarto a quem se lhe cortasse o rabo

Me acerquei. Tudo pára e fica numa perna só:

Eu vejo essa persona no alto do rochedo,

Essa Madona nua na televisão.

__É o teu poder que me dá asas pra voar,

Eu me consagro a Ti, beleza estonteante!

Desejo que desliza no desejo-além,

Além do que desejas no significante

A soma desse olhar trágico, estruturante,

Por trás dessa persona onde desgraça pouca

É bobagem demanda um grande desconcerto:

Digo para além do indelével da janela

Caíste em cheio na metáfora que sou.

MADEIRAMES: Em Sonetos e Eros
Helder Alexandre Ferreira

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