No segundo simestre do ano de 1974, a Rádio Uirapuru de Fortaleza anunciava este reclamo:
" É mesmo sensacional! Neste dia 12 de Outubro, o Clube Líbano-brasileiro apresenta o INTERNACIONAL CONJUNTO PHOLHAS. NÃO PERCA!!!"
Eu era contínuo da Lundgre Tecidos S/A, as decantadas Casas Pernambucanas, que tiveram uma publicidade inesquecível na voz de Miltinho, que cantava assim:
" Casas Pernambucanas
Vou pra escola bacana
Nas casas Pernambucanas
Primeiro lugar
Casas Pernambucanas..."
Um bosque! A Parquelândia ainda era um bosque, com resquícios do Coqueirinho lá para as bandas do latifúndio do João Maia; Ainda havia o Tróleibus da Compahia de Transporte Coletivo, que fazia a linha Bezerra de Menezes; a garagem da CTC ficava na deserta Avenida Jovita Feitosa. Eu era jovem, muito jovem, juveníssimo, mas já trabalhava no centro da cidade, eu era um desses " alegres garotos" que passavam pelas ruas Liberato Barroso e Guilherme Rocha, sempre para lá e para cá, resolvendo os negócios do patrão. O meu patrão era Fernando Pontes, atualmente diretor da CDA. Eu era " boy" e ganhava Cr$ 35.000 por semana, salário do menor. Naquele tempo o salário era de Cr$ 280.000. Eu ficava impressionado com aquele VINIL cuja capa continha quatro máscaras de cera e o fundo era verde-oliva. A loja de discos ficava na Liberato Barroso. Um dia, ao final do expediente, eu entrei na loja e perguntei quanto custava o LP dos Pholhas. O vendedor olhou-me admirado e respondeu: Cinqüenta, mas pra você eu faço por quarenta e cinco. Não pude comprar. Não pude ir ao Líbano. Mamãe não deixou, aliás era proibido um menor ir a festas à noite.
Vicente Alencar, não foi isso tudo que você disse no programa. Lembro que o valor do ingresso era Cs$ 50.00 por cabeça. O cunhado de minha cunhada foi. Os Pholhas eram mais espetaculares do que tudo na época, estilo personalíssimo, que, em alguns momentos, poder-se-ía dizer que era superior aos garotos de Liverpul. Conjunto excelente os Pholhas! O celebérrimo grupo de rock os Pholhas o mais grandioso conjunto de rock dos anos setentas.
Vocês não me venham dizer que não gostavam. Eu não posso imaginar a década de 70 sem os pholhas. Eles conseguiram arrancar um som inculto e belo do piano eletrônico; o fato de cantar em inglês não os diminui em nada.
Em 1986, o homem do charuto Luiz Rolim os trouxe outra vez para Fortaleza. Eu trabalhava na Fábrica Fortaleza. Quem chegou primeiro ao Romeu Martins foi eu. Eu cheguei tão cedo que flagrei o quarteto adentrando o clube para testar o palco e a bateria. Depois eles voltaram para o hotel e só retornariam pela madrugada, após a apresentação da Luzirene do cavaquinho. Quando os pholhas começaram a tocar, o pessoal que estava disperso, correu para perto do palco: todo mundo queria ver como era que o Santisterban punha os dedos nos teclados. Foi um show inesquecível. Olha, os pholhas não tinham o direito de sair do mercado fonográfico como saíram abruptamente ( O grifo em itálico é meu), dando um " tempo", conforme dissera o saudoso J. Silvestre de quando do retorno deles (1985) em seu programa pela Bandeirantes.
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