O que é o vorstellungsrepräsentanz?
É o nome alemão da representação inconsciente. A gente sabe que as palavras em alemão são sempre compostas, daí esse nome estrambólico, que, na verdade contém dois nomes: representação e afeto. Vorstellung (representação) é um neurônio investido com uma carga de afeto, repränsentanz (representante) é o investimento energético ligado à representação, portanto, o representante ou significante é da ordem da descarga que se exterioriza no campo do somático em forma de sensação, e assi sendo, é da ordem da linguagem.
O significante é a negação (aufhebung) do natural.
Alguma coisa é suprimida, abolida, superada; algo é negado e ao mesmo tempo conservado. Toda verdade percebida como mentira possibilita uma nova verdade, de tal modo que, sair do erro (negar a mentira) é o momento do processo de produção da verdade. Quando o sujeito verbaliza o conteúdo recalcado, mesmo negando que seja a expressão do seu desejo, há uma abolição do recalque, uma vez que o recalque teve acesso à consciência. A negação em Freud é a negação determinada, enquanto que a negação em Hegel é a negação absoluta (a morte). Negação determinada é uma denegação e uma denegação se enquadra nas neuropsicoses de defesa como sendo uma negação. É uma espécie de recusa da realidade, quando a realidade é insustentável. Qual é a realidade que é insustentável? É a realidade inconsciente, a verdade do desejo. Essa verdade é recalcada, e o seu conteúdo transformado imediatamente em neurose de angústia, em outras palavras, a neurose é a transforamção direta da libido em angústia (transformação de afeto). O que a psicanálise pontua é que a pulsão (trieb) ela sofre vários destinos pelo mecanismo da condensação e do deslocamento; pela condensação (metáfora) o recalque originário é associado a outros recalques, isto é, recebe novas inscrições, já o deslocamento (metonímia) faz uma substituição por aproximação de uma representação, é o caso de quando o sujeito se depara com alguém que faz lembrar um outro alguém com quem ele conviveu num passado remoto (digamos o primeiro amor). Essa lembrança, às vezes não muito agradável pode voltar, uma vez que a representação atual associa-se com a representação inconsciente, o que se quer dizer é que uma representação só tem acesso à consciência se encontrar outra representação pré-consciente-consciente, no caso, as pessoas com quem nos deparamos no dia a dia.
Quando eu era pequeno morava perto do matadouro do Antônio Bezerra, passava muita vaca pelo asfalto. Eu morria de medo da cara dos bois. Um dia, um touro deu em cima da vaca na calçada de minha casa. Fechei a janela e fiquei morrendo de medo. Eu costumava ter sonhos com a minha mãe sendo ameaçada por um boi. Certa feita, passei vários dias sem andar em virtude de não mais poder freqüentar o jardim de infância por questões de mensalidade escolar. Quando fui morar na Parquelândia, fiquei com medo de brincar na rua, e comecei a inventar cidades, desenhando em papel de bodega; eu brincava também com sombras que subiam da parede do meu quarto. Aos quinze anos comecei a me achar um pão e adorava ser paquerado pelas meninas ( eu era mais passivo). No tempo em que estudava na Fênix Caixeral, tinha um cara lá que eu achava muito bonito, eu só queria ser parecido com ele. Eu achava o Denis Carvalho bonito, mas isto nunca fez com que eu pensasse que fosse coisa de bicha. Eu era muito tarado, tinha a tesoureira do Lojão Anfisa, um mulherão, coroazona, eu me amarrava nela, mas era de uma timidez fatal. Um dia, na feira dos municípios, uma menina me disse que eu morreria solteiro por excesso de timidez. Acho que ela acerou no álvaro. Eu ficava gelado diante das mulheres, tinha vergonha de tirar uma garota pra dançar porque as minhas mãos eram um gelo. Acho que foi por isso que inventei a Liliana. O que está em negrito é uma associação livre. Veja se consegue detectar os resíduos inconscientes. Agora você é Marlene Klein, uma grande psicóloga americana.
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