O teu silêncio feito artéria aberta é rio,
Gera peixes azuis por causa da represa,
Línguas-de-fogo sobre a terra, a natureza,
O teu silêncio é um barão assinalado.
Imerso nesse rio em gozo alucinado,
Rio que vive de castelos nada mais,
Ninguém estanca o teu silêncio que ora vai,
Nos últimos arrancos, quando a espada de Eros
O fere na carótida, de extremo a extremo,
E abre a represa e sangra em gozo alucinado,
Rio que vive no teu peito represado.
__Giselda, o Rio Jaguaribe está sangrando,
Unindo o raio do ouro ao mar que se escapela
Como cinema mudo ou cena de novela,
Giselda, o Rio Jaguaribe está sangrando!
MADEIRAMES: Cem sonetos de Amor
Helder Alexandre Ferreira
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