segunda-feira, 25 de agosto de 2008

P.E.O.

Apesar de que os seu quefazeres lítero-culturais, poéticos e domésticos não permitirem, não obstante o facilitário da comunicação virtual, o salvo-conduto da minha palavra na sua leitura, peço-lhe, por especial obséquio não me ponha no filtro, em banho-maria, você é uma das mais disponentes deste rebanho desprevenido, estupefato e desgarrado; não me conserve em geladeira, compadeça-se de mim enquanto o outono não chega e trave o avanço das pedras. Que confusão amaldiçoada é a praga da velhice chegando!... Sei. As quantidades bastantes de emeius deambulantes, interceptantes engasgam, às vezes, e filtrar é preciso... Filtre. Oh, que megera indomada me barra o caminho! Solte essa Coisa, deixe chover no plantio, eu sou apenas um espantalho descabelado, reduzindo à congelada expectação; vou compondo montanhas colossais ou simples e estupefatos seixos desgarrados. Oh, o medo da chuva não permite sair de casa! A vida a gente é que resolve. Caminhar fica difícil quando a gente não se resolve ou quando a gente resolve que a vida não vale a pena.
Não sou um quebra-esquinas nem amo o que é fácil. Nunca vou por ali... Por especial obséquio não me receba de braços abertos, eu não quero os seus braços estendidos, o seu respeito humano, tudo isso não passa de mecanismo de defesa, dado que a expressão livre das emoções nos deixa vulneráveis. As minhas costelas estão doridas dessa estimulação sensorial e social, por demais falsa que os outros me proporcionam. Eu não sou um presunçoso de braços cruzados; um filho pródigo, enaltecido dos mariolas pensativos e sonolentos. Os boas-vidas querem que eu vá por ali... Não! Não vou por ali. Não me dê um quebra-costelas, isso fica para as amadas que envelheceram sem maldade. De você eu quero a umbigada, o xeque-mate, o movimento agressivo, por isso não filtre as minhas palavras. Você nunca foi meu pai nem minha mãe, eu nunca disse que era orvalho, a vida é também uma nódoa de lama, você não tem satisfações a me dar, chega de explicação, pra que tanto respeito?...
Respeito... Faça o favor de me desrespeitar, respeito demais é neurose. Faça uma brincadeira comigo, me separe de minha sombra, você é o meu sol; eu sou o seu menino louco. Por especial obséquio elicie todo o encantamento, a gente não envelhece quando está encantado. Fique encantada comigo, e eu me encatarei com voçê. A gente nunca é velho quando está vivendo uma experiência de pico, uma experiência de fluxo, as pessoas não morrem; ficam encantadas.
Merliryn Monroe vive.

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