A análise gravita em torno do relativo; a intuição (conhecimento anterior à experiência), em torno do absoluto.
O conhecimento da COISA é sempre relativo (condicional), a coisa-em-si não está ao nosso alcance, mas a sua substância deixa-se perceber mediante a representação da vontade, ou seja, na forma do fenômeno, na deformação subjetiva do nosso conhecimento. Emmanuel Kant discutiu na “Crítica da Faculdade de Julgar” e na “Crítica da Razão Pura”, o problema da objetividade (a coisa-em-si) e da subjetividade (o fenômeno). A Razão Pura é a representação de um OBJETO capaz de ser produzido pela liberdade, trocando em miúdos, a Vontade é a representação da liberdade, e tal vontade é somente uma vontade livre se for direcionada pelo princípio de razão, é o que se conhece, no criticismo, como Estética Transcendental. Mas o que é mesmo a estética transcendental? É o conhecimento anterior à experiência, o conhecimento a priori, a intuição, e a intuição é o modo de como o conhecimento se refere ao objeto. Os (2) dois troncos do conhecimento são (1) a sensibilidade e (2) o entendimento. Pela sensibilidade nos sentimos os objetos; já pelo entendimento os objetos são pensados, representados em nossa mente, o que vai caracterizar a Consciência.
O espírito é a consciência e a consciência é a memória. A nossa consciência é o nosso EU; podemos dizer, também, que é a nossa memória, uma vez que tem por função acumular e reter o passado. A consciência (espírito) também está voltada para o futuro, antecedendo o porvir, portanto a consciência está sempre apoiada no passado, mas debruçada no futuro. Posto isto, a consciência é sinônimo de escolha. O cérebro como lugar corpóreo da mente (espírito) é um órgão de escolha. Os animais inferiores como as amebas prescindem de decisão, por isso não têm cérebro. Nas amebas o que existe é algo de circunstancial no momento em que precisam deglutir o alimento elas desenvolvem algo como um órgão de escolha.
Para que a vida cresça e evolua, existem (2) dois caminhos: (1) o movimento e a ação no sentido produtivo, isto é, risco e aventura, (2) a existência parasita, as ambas, por exemplo, como forma de vida assegurada, o que caracteriza a inconsciência (Ontem na Terça em Prosa e Verso, Vicente Alencar teceu considerações amaríssimas a respeito dos parasitas do Congresso Nacional, o pessoal do Mensalão em contraposição às virtudes de Hortêncio Pessoa, o homem que enxerga pelos olhos do coração). A consciência é pertinente aos animais superiores (o homem); a não-consciência, aos parasitas. Os vermes não têm escolha, eles vivem à custa dos outros animais.
A vida consiste na liberdade, inserindo-se na necessidade e utilizando-a em seu benefício. Liberdade é consciência; matéria é necessidade, portanto corpo e alma, isto é, matéria e consciência são as (2) formas de existência radicalmente diferentes e mesmo antagonistas que adotam um modus vivendi e se arranjam bem ou mal entre si. Ao falarmos de consciência estamos falando de memória. A memória existe. Embora às vezes, de pouca amplitude, ela existe mesmo numa parte ínfima do passado, pode reter, também, apenas o que acaba de acontecer, fato é que a memória existe, do contrário não existiria a consciência. Uma consciência que não conservasse o seu passado, que esquecesse sem cessar de si própria seria uma inconsciência. Toda consciência é memória, ou seja, conservação do passado no presente. Mas a consciência é também antecipação do futuro. Não há consciência sem uma certa atenção à vida (instintos do ego, pulsões de autoconservação). A nossa consciência antecipa o nosso futuro (Para onde vou? ), pois sua direção se ocupa, sobretudo, em vista do que nós vamos ser. Toda ação do ser humano é um penetrar no futuro. O nosso espírito (consciência) tenta responder às ( 3 ) três indagações do filósofo: De onde venho, o que sou e para onde vou. Ela retém o que já era, o passado, e antecipa o que ainda não veio, o futuro. E o presente? O presente é o instante-limite, puramente teórico, que separa o passado o futuro. Nós, em verdade, nunca percebemos o momento presente; quando cremos surpreendê-lo, ele já alçou vôo, o que percebemos é apenas uma certa camada de DURAÇÃO, que se compõe de (2) duas partes: (1) O passado imediato, (2) O futuro iminente; sobre este passado nos apoiamos, e sobre este futuro nos debruçamos.
O amor (instinto da libido, pulsões de autopreservação), e a ambição são os (2) dois grandes motores da atividade humana. Freud chama-os de Eros e Thanatos. A consciência _ espírito _ é a força que trabalha diante de nós, procurando se libertar dos obstáculos e superar-se a si mesma, procurando tirar de si tudo o que tem, e depois mais do que tem. Isto é incrível! Isto é BERGSON.
Depois continuo.
Votos de felicidade e sucesso
Do seu muito obrigado
Helder Alexandre Ferreira
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