AS G O R E T E S
Os vitrais... Os morcegos... As goretes...
Os braços de Morfeu, profundamente,
Enfermo desta noite, descontente,
Fui eu quem se afogou no Rio Letes.
Persecução vampira, o quarto escuro;
Fantasmas tiritando na cortina,
O rio intoxicado de morfina,
O meu corpo cinzento no monturo.
Eu creio, apodrecido de maduro,
Neste morcego infausto do futuro,
Os meus vitrais impuros na retina.
Eu creio que setenta vezes sete
O meu politeísmo das goretes
Despacha o meu pescoço à guilhotina.
VITRAL: Poesias
Helder Alexandre Ferreira
Soneto lido na terça-feira em Prosa e Verso, ainda na Casa de Juvenal Galeno, 2001.
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