quarta-feira, 30 de julho de 2014

NÁUSEA




Minha poesia sofreu radiação e perdeu a alma.

Nada mais posso fazer pela pátria mãe-gentil

Mais do que esquecer a letra do hino nacional.

Sinto-me bem e mal sendo esta poesia panorâmica

Que desnuda aas vergonhas

Da minha primeira professora.

A minha mesa está posta

E teima fazer-me engolir

As sobras dos meus avôs

Para eu me sentir à vontade

Com a doença que é só deles.

As minhas roupas são de um tio velho

                                          Exilado no Paraguai,

E eu penso com a cabeça de um bisavô maluco.

__O almoço fico no quarto

Enquanto não forem família,

Enquanto forem histriões,

Enquanto fizerem drama,

Enquanto estiverem mortos.

Fico no quarto desta poesia nuclear,

Sempre de fora, na calçada;

Empano a realidade cifra

De puro conteúdo jornalístico,

E minto para o meu pai,

Dizendo que sofro do fígado.

Tiro cara ou coroa e vejo nos arrastões

Homens de nomes assinalados

Em folhas ministeriais.

É por isso que sofro do fígado,

É por isso que tenho fastio,

É por isso que sou ranzinza.

 

 

 

 

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