Minha
poesia sofreu radiação e perdeu a alma.
Nada
mais posso fazer pela pátria mãe-gentil
Mais
do que esquecer a letra do hino nacional.
Sinto-me
bem e mal sendo esta poesia panorâmica
Que
desnuda aas vergonhas
Da
minha primeira professora.
A
minha mesa está posta
E
teima fazer-me engolir
As
sobras dos meus avôs
Para
eu me sentir à vontade
Com
a doença que é só deles.
As
minhas roupas são de um tio velho
Exilado no Paraguai,
E
eu penso com a cabeça de um bisavô maluco.
__O
almoço fico no quarto
Enquanto
não forem família,
Enquanto
forem histriões,
Enquanto
fizerem drama,
Enquanto
estiverem mortos.
Fico
no quarto desta poesia nuclear,
Sempre
de fora, na calçada;
Empano
a realidade cifra
De
puro conteúdo jornalístico,
E
minto para o meu pai,
Dizendo
que sofro do fígado.
Tiro
cara ou coroa e vejo nos arrastões
Homens
de nomes assinalados
Em
folhas ministeriais.
É
por isso que sofro do fígado,
É
por isso que tenho fastio,
É
por isso que sou ranzinza.
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