domingo, 30 de setembro de 2012

R  E  V  E  S  T  R  É  S


Tens a harmonia do universo que se exterioriza
Em verso e reverso
Teu soneto agoniza
No detalhe da camisa
São tão leves os teus pés
Meu beijo de revés

Nas asas abertas dos teus pés
Minha boca unida à sola
Arqueja colada agoniza
No teu corpo se eterniza
É tão lisa a tua tez
Refletindo o universo
Que eu não conto até dez
Pra tirar minha camisa e a planta dos teu pés
Todos os dias do mês beijar com avidez
Eu não conto até três
Pra tirar a tua blusa
Sei que o Deus do céu me acusa
Essa sensualidade
Eu não tenho mais idade pra andar de revestrés
Hoje eu conto até dez
Antes de beijar-te os pés
A minha boca agoniza todos os dias do mês
Talvez eu não conte até dez
E vá na ponta dos pés
À meia luz na divisa desabalado e sem camisa
Na hora em que o sono agoniza arqueja e pragueja num grito
Eu te fito a planta dos pés e a noite confusa agoniza
E o grito que minh'alma divisa
É a diferença de idade
por que nasceste tão tarde
Se tens tão leves os pés
Se tens a boca carnuda
E nunca mudas de rio

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