terça-feira, 13 de julho de 2010

TU NELA MIA VITA

Sonhei sonhos vertiginosos toda a noite,

Muitos me condenam porque eu não me emprego,

Porque não dou uma barra de sabão num prego,

Não posso ouvir clarim nem sei o que é pernoite.

De noite a noite uma canção italiana

Soprando pelas réguas da veneziana,

De noite um raio zenital, sangue celeste,

Impetuoso, rebentando num rebote:

A cantoria do reisado de magote

Vai percorrendo a Avenida Leste-Oeste;

De noite a noite tomba um relâmpago egresso,

É o diamante lapidado do meu verso,

E o meu poema de beleza se engalana,

E resplandece, e sopra da veneziana.



AGALMA: Helder Alexandre Ferreira




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