Muitos me condenam porque eu não me emprego,
Porque não dou uma barra de sabão num prego,
Não posso ouvir clarim nem sei o que é pernoite.
De noite a noite uma canção italiana
Soprando pelas réguas da veneziana,
De noite um raio zenital, sangue celeste,
Impetuoso, rebentando num rebote:
A cantoria do reisado de magote
Vai percorrendo a Avenida Leste-Oeste;
De noite a noite tomba um relâmpago egresso,
É o diamante lapidado do meu verso,
E o meu poema de beleza se engalana,
E resplandece, e sopra da veneziana.
AGALMA: Helder Alexandre Ferreira
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