S O N E T O
Tome, doutor, minha retórica perfeita,
São meus disfarces de desejos recalcados,
Que realizam plenamente os meus dois lados,
Nos cueiros de Vênus bela sempre afeita,
Afeiçoada à saparia desta feita,
A multiplicação da dor e da agonia,
Um sapo presa de furiosa ventania,
Bêbedo, incivil, faísca dos cutelos
A marcha fúnebre que canta nos martelos.
Assisto, hoje, a serpes numa coreografia,
Visualizando harpias pavorosamente,
Nidificando a marcha fúnebre, doente,
Diga-se de janeiro a janeiro são as regras,
Ininterruptamente nas frias adegas.
AGALMA: Poesias
Helder Alexandre Ferreira
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