sexta-feira, 21 de agosto de 2009

S O N E T O



Tome, doutor, minha retórica perfeita,

São meus disfarces de desejos recalcados,

Que realizam plenamente os meus dois lados,

Nos cueiros de Vênus bela sempre afeita,

Afeiçoada à saparia desta feita,

A multiplicação da dor e da agonia,

Um sapo presa de furiosa ventania,

Bêbedo, incivil, faísca dos cutelos

A marcha fúnebre que canta nos martelos.

Assisto, hoje, a serpes numa coreografia,

Visualizando harpias pavorosamente,

Nidificando a marcha fúnebre, doente,

Diga-se de janeiro a janeiro são as regras,

Ininterruptamente nas frias adegas.




AGALMA: Poesias
Helder Alexandre Ferreira

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