terça-feira, 9 de setembro de 2008

HELDER ALEXANDRE FERREIRA E O SUBSOLO

A ociosidade é a mãe de toda psicologia. Como? A psicologia seria um vício?
(Nietzsche)


Sou autodidata, poeta, escritor e filósofo da mente. O filósofo é um animal depravado, bufão e caricaturesco, cheio de subterfúgios e de segundas intenções, vive no subsolo. As musas ou os demônios de Sócrates, alguma coisa de doente sustenta que viver é estar a muito tempo doente. O poeta é como um asno que carrega sob si um fardo que não pode rejeitar. Esse fardo são todos os mortos da tribo, todas as dores do mundo, o poeta carrega o mundo nas costas... Mas o poeta é também um animal erótico tal qual a mulher perfeita; ele faz literatura do mesmo modo que comete um pequeno deslize, olhando para a esquerda e para a direita, e de vez em quando, olhando para trás para ver se alguém percebeu isso e afim que alguém perceba isso. Eu conheço a minha própria sombra, sei onde ela está e quando tenho de me desviar dela para poder ver melhor a mim mesmo. Os loucos não têm sombra, por isso são verdadeiros artistas, modestos em suas necessidades, sabem se enrolar quando pisados para reduzirem a chance de serem pisados outra vez. Os loucos enlouqueceram por excesso de sabedoria. Pudesse eu ser louco com a mesma loucura com que buscas a própria sombra!... Mas eu vivo o princípio do amor ao próximo, ou seja, eu me ajudo a mim mesmo para que todos me ajudem. E todos me ensinam onde devo pôr as mãos, e a minhas mãos supõem ter vontade própria. Eu não preciso conhecer as coisas, mas respeitá-las. Isso me faz acreditar que existe vontade nas coisas, que as coisas têm poder que as coisas foram criadas para mim e não por mim. Carrego comigo a moral insossa, insulsa, inconseqüente, insalubre, quando não pérfida e perniciosa.


Helder Alexandre Ferreira

Um comentário:

Unknown disse...
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