segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O NOVO MUNDO DE SOFIA

Eu lhe prometo um mar de rosas. Case-se comigo, Sofia, quero sentir suas formas alvas, brancas formas claras, de luas, de neves, de neblinas. Cantaremos de amor tão docemente a delícia da vida! A delícia da vida! Case-se comigo, Sofia, não me deixe só, eu tenho medo do escuro. Você me toma por esposo e me confere novas qualidades de estudioso, lido e viajado. Case-se comigo e eu lhe prometo não ficar vasculhando na cabeça pedaços literários, eu me darei ao respeito, Sofia, case-se comigo e vamos pra lua de mel... Um momentinho, um momentinho, um momentinho!... Não diga nada! Fique quieta! Não se mexa!... Ausculte! É a máquina do mundo que voltou a funcionar. Vamos embora pra Pasárgada, lá mergulharemos nas águas do Paraíso. Segure a máquina do mundo com suas mãos trêmulas, de emoções extremas, enlacemos as mãos e voejamos na máquina do mundo. Um momentinho, um momentinho, um momentinho! A máquina do mundo, às vezes, é cruel, frenética e exigente. A luxúria de Dido, Cleópatra e Lucrécia, misturada ao som desse silêncio pausado e seco, escalando o pico da montanha inacessível desta humanidade incolor é que faz a máquina do mundo tão vaidosa. Deixe-me beijá-la nos ombros e sentir o perfume dos cabelos, ponha aquele beibidol vinho e arrume a cama com uma colcha vermelha. Ah! Tomemos uma ducha morna e deixemos o controle remoto aqui do lado. Mas quem precisa de televisão?... Pra que saber que horas são?... Depois de ter você, Sofia, nada mais importa; nem a máquina do mundo. Sinto em você os mais estranhos estremecimentos. Que fuljam desejos, vibrações, ânsias e alentos; que meus versos cantem sonoramente, luminosamente essas formas alvas, essas formas vagas; essa visão de salmo e cântico sereno, o meu amor está vivo, e quente, e forte, e louco, um turbilhão quimérico de sonho! Onde está você, que não responde os meus emeius, e se não responde, por que esse rio em beleza escorrendo desejos, vibrações, ânsias, alentos? Ficar linda não suscita nenhuma objeção? Você me permite decifrar sua beleza? O mistério desse rosto, que brilha com o pólen do ouro dos mais finos astros, são dois pensamentos, que, juntos, se excluem, mas, se separados, não suscitam nenhuma objeção. Nesse caso os dois pensamentos penetram sucessivamente na consciência; a ligação entre eles permanece oculta. O que você quer de mim é censurado por causa do conteúdo do querer; o silêncio e a beleza manifesta são pensamentos substitutos do querer que você censura através do silêncio virtual, pois o silêncio e a beleza são os dois pensamentos superficiais, que, separadamente, não suscitam objeções, mas, que juntos, são imediatamente deslocados pela censura, portanto esse rio em beleza escorrendo desejos, vibrações, ânsias, alentos é o significante do desejo (o que você quer de mim), e o que você quer de mim é o que eu quero de você: uma coisa normal e séria cujo vínculo essencial está na forma vaga, fluida, cristalina de sua beleza suave. Não se reprima, se os meus sonetos não correspondem às suas expectativas, você está sendo inflexível, escrupulosa e meticulosa; tanto talento assim não precisa de admiração excessiva; às vezes a beleza é um delírio, e todo delírio é obra de uma censura que já não se dá ao trabalho de ocultar o seu funcionamento. Hoje você estava linda, Sofia, posta em sossego de alma (Cesse tudo o que a Musa antiga canta.) O que você quer de mim, Sofia? Eu sei que em nada do que escrevo você não acredita, mas também que nada do que você cala eu acredito; você rir desta minha colcha de retalhos, pintada com as pompas soberanas de Cruz e Sousa, e eu rio desse rio escorrendo beleza, desejos, vibrações, ânsias, alentos. Não se reprima, mas também não expire entre mil porras, vaidosa. Ao seu lado eu sei tão pouco de você... Você deve ser a tal Germana a louca assinalada que acreditava que eu seria grande. Você critica as minhas credenciais ou duvida do meu desempenho na cama. Eu não correspondo às suas expectativas? O que você quer mais, sol, passarinho?... Faça uma lista de queixas sobre como tem sido tratada sexualmente por mim. Prefere ficar sozinha? Tem prazer em poucas atividades? Evita novos relacionamentos ou relacionamentos íntimos? Pouco, pouco, muito pouco, eu sei tão pouco de você que já não oculto mais o meu funcionamento. Quem sou eu, quem é você, quem somos nós? Diga-me qual estrada temos de palmilhar. Temos estradas, sol e passarinho no pulso desse rio escorrendo beleza, desejos, vibrações, ânsias, alentos. Você é o rio mais bonito que corre dentro de mim. Ah! Mas até os rios morrem!


Helder Alexandre Ferreira (Pulsões sonetos e outras poesias)







Um momentinho, um momentinho, um momentinho!...
Não diga nada! Fique quieta! Não se mexa!... Ausculte! É a máquina do mundo que voltou a funcionar. Vamos embora pra Pasárgada, lá mergulharemos nas águas do Paraíso. Segure a máquina do mundo com suas mãos trêmulas, de emoções extremas, enlacemos as mãos e voejamos na máquina do mundo. Um momentinho, um momentinho, um momentinho! A máquina do mundo, às vezes, é cruel, frenética e exigente. A luxúria de Dido,Cleópatra e Lucrécia, misturada ao som desse silêncio pausado e seco, escalando o pico da montanha inacessível desta humanidade incolor é que faz a máquina do mundo tão vaidosa.
Deixe-me beijá-la nos ombros e sentir o perfume dos cabelos, ponha aquele beibidol vinho e arrume a cama com uma colcha vermelha. Ah! Tomemos uma ducha morna e deixemos o controle remoto aqui do lado. Mas quem precisa de televisão?... Pra que saber que horas são?... Depois de ter você, Giselda, nada mais importa; nem a máquina do mundo.


Sinto em você os mais estranhos estremecimentos. Que fuljam desejos, vibrações, ânsia e alentos; que meus versos cantem sonoramente, luminosamente essas formas alvas, essas formas vagas; essa visão de salmo e cântico sereno, o meu amor está vivo, e quente, e forte, e louco, um turbilhão quimérico de sonho!
Onde está você, que não responde os meus emeius, e se não responde, por que esse rio em beleza escorrendo desejos, vibrações, ânsias, alentos? Ficar linda não suscita nenhuma objeção? Você me permite decifrar sua beleza? O mistério desse rosto, que brilha com o pólen do ouro dos mais finos astros, são dois pensamentos, que, juntos, se excluem, mas, se separados, não suscitam nenhuma objeção. Nesse caso os dois pensamentos penetram sucessivamente na consciência; a ligação entre eles permanece oculta. O que você quer de mim é censurado por causa do conteúdo do querer; o silêncio e a beleza manifesta são pensamentos substitutos do querer que você censura através do silêncio virtual, pois o silêncio e a beleza são os dois pensamentos superficiais, que, separadamente, não suscitam objeções, mas, que juntos, são imediatamente deslocados pela censura, portanto esse rio em beleza escorrendo desejos, vibrações, ânsias, alentos é o significante do desejo (o que você quer de mim), e o que você quer de mim é o que eu quero de você: uma coisa normal e séria cujo vínculo essencial está na forma vaga, fluida, cristalina de sua beleza suave. Não se reprima. Às vezes a beleza é um delírio, e todo delírio é obra de uma censura que já não se dá ao trabalho de ocultar o seu funcionamento. Hoje você estava linda, Giselda, posta em sossego de alma (Cesse tudo que a Musa antiga canta.) O que você quer de mim, Giselda? Eu sei que nada do que escrevo você não acredita, mas também que nada do que você cala eu acredito; você rir desta minha colcha de retalhos, pintada com as pompas soberanas de Cruz e Sousa, e eu rio desse rio escorrendo beleza, desejos, vibrações, ânsias, alentos. Não se reprima, mas também não expire entre mil porras, vaidosa. Ao seu lado eu sei tão pouco de você... Você deve ser a tal Germana a louca assinalada que acreditava que eu seria grande, raios partam a vida e quem lá ande.


Helder Alexandre Ferreira
Pulsões Sonetos e outras poesias

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