Max Wertheimer e a psicologia da Gestalt
Enquanto o BEHAVIORISMO floresceu na América, a psicologia da gestalt [Gestalt é a palavra alemã para forma, padrão ou estrutura] crescia na Alemanha. Como o próprio nome sugere, os psicólogos da gestalt acreditavam que as experiências trazem consigo uma característica de totalidade ou de estrutura. Como o behaviorismo, a psicologia da gestalt surgiu em parte como protesto contra a prática de se reduzir experiências complexas a elementos simples. Os behavioristas, que eram fixados no COMPORTAMENTO OBSERVÁVEL, de certa forma foram os precursores da Gestalt. Esse movimento psicológico teve bom números de líderes, incluindo Wolfgang Kohler, Kurt Koffka e Max Wertheimer; começou, segundo os historiadores, em 1912, quando Max Wertheimer (1880-1943), psicólogo alemão, então na Universidade de Frankfurt, publicou um relatório sobre estudos de MOVIMENTO APARENTE, ou seja, o movimento percebido quando, na realidade NADA está acontecendo. O cinema é um excelente exemplo de movimento aparente, nele, numa projeção, as fotografias passam rapidamente e dão uma ILUSÃO de que as pessoas e coisas estão se mexendo. Na realidade milhares de luzes estão se acendendo e se apagando; NADA ESTÁ SE MOVENDO. Segundo a psicologia da gestalt O TODO É DIFERENTE DA SOMA DE SUAS PARTES E QUE AS PARTES TÊM QUE SER VISTAS EM TERMOS DE SEU LUGAR, PAPEL E FUNÇÃO NO TODO DO QUAL SÃO PARTES. O movimento aparente não podia ser compreendido pela simples análise de seus componentes.
UM CASO MEU DE ILUSÃO DAS FORMAS
Quando pequeno, eu passava horas diante da televisão. Os aparelhos daquela época eram à válvula, e a imagem (branco e preto) oscilava muito, havia erro de posição da antena que fazia com que as imagens se movessem de baixo para cima. Quando eu me deitava para dormir, fixava os olhos na parede do corredor da minha casa (o quarto era à meia-luz), enquanto o sono não vinha eu brincava com sombras que se moviam de baixo para cima na parede da casa. Eram sombras roxas, eu as acompanhava com os olhos, eram exatamente iguais ao movimento da imagem defeituosa da tevê.
O funcionamento fisiológico dos olhos e do cérebro deve ser considerado a partir dos ELEMENTOS INTERAGENTES NA SITUAÇÃO, portanto a tevê com a imagem oscilando, o hábito de manter a luz da sala apagada, o quarto de dormir na penumbra, recebendo a luz que vinha da cozinha, a péssima qualidade das películas em branco e preto (os filmes seriados pareciam uma mancha) tudo isso causava um FENÔMENO de alucinação, que, para o médico que não têm amplo conhecimento, pode ficar diagnosticado como sendo sintoma de disfunção cerebral, falta de oxigênio no cérebro.O fenômeno, a visão das manchas que tanto me impressionavam eram o TODO, mas o todo é diferente da soma de suas partes, ou seja, o meio é tão importante quanto o fator genético para o desenvolvimento da mente e do corpo. A experiência (comportamento observável) não é outra coisa que a adaptação às intempéries, por isso a psicologia da gestalt acreditava que as experiências trazem uma característica de TOTALIDADE OU DE ESTRUTURA, em acordo com o behaviorismo, que dizia para os seus seguidores observarem os elementos da consciência presente, por que isso representa um quadro geral, formado de muitas partes, e que essa totalidade, esse movimento aparente da consciência ( o que o paciente sente na alma) na verdade não existe, um grande exemplo é a NEUROSE DE COMPENSAÇÃO. Outro dia reencontrei um antigo companheiro de comércio. Quando trabalhávamos de vendedor numa empresa aqui da cidade, o diretor deu-lhe as contas só porque ele, o meu amigo quis estreitar laços de amizade com o chefe e o fez por escrito, confidencialmente, numa singela carta( afirmo-lhe que essa pessoa não sou eu, é o Charles). A resposta foi terrível! O homem mando-o embora. Hoje, passados quatorze anos, encontrei Charles doente, cheio de mágoa, melancolia e dor, dizia-me que o seu fulano ainda vai ficar na miséria e ele vai rir, rir muito disso, e que vai ofertar um apartamento ao tal.
Essa cólera do meu amigo Charles (ele me disse sofrer de transtorno bipolar) não tem nada a ver com o seu fulano. Era sabido que ele era homossexual. Charles pensa que aconteceu algo entre ele e o seu fulano, isso é apenas o que ele sente e percebe, mas o que ele não pode compreender (aí é que entra outra cabeça, a do psicólogo) é a grande mágoa em relação aos seus pais que não aceitaram a sua homossexualidade, sobretudo o seu pai. Freud explica que todo desejo é um deslocamneto; o ressentimento, a cólera, o ciúme tudo isso são formas distorcidas do AMOR, portanto Charles deslocou para o seu fulano as pulsões de morte que ele sente em relação ao seu pai.
Depois continuamos. Helder Alexandre Ferreira
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