segunda-feira, 18 de agosto de 2008

EU QUERIA TER UMA MÃE ASSSIM.

Eu estou sempre falando de conceitos psicanalíticos como quem fala de política ou de qualquer assunto de domínio público. Esta minha idéia-fixa é um deslocamento de afeto (emoção), uma solução de conflito entre o superego e o id, é uma autocensura que se manifesta num desejo compulsivo-obsessivo pela leitura. Tenho necessidade da leitura porque tenho necessidade de sofrer... Sei perfeitamente que muitas pessoas nada entendem do que falo e folgo em sabê-lo. Adoro ser inconveniente e falar de modo científico. É uma estratégia agonística de defesa, torno-me impessoal, só preciso dizer bom-dia e boa-tarde, afinal, eles não têm nível intelectual para debater comigo. A psicanálise é o meu porto seguro. Não fosse a psicanálise, eu não teria enredo nem estilo nem tom na goela; eu seria afásico. A angústia, o narcisismo, o " instinto" e o desejo vivem em mim à flor da pele, ao comprido do sistema somatosensorial: Eu respiro angústia o tempo todo, entre mim e Freud há uma química de olfato e paladar, talvez eu seja um caso clínico, um homem doente, um homem ridículo, mas que não quer se tratar. Outro dia sonhei com a mãe de uma namorada hipotética, e tive um insight de que sempre fora apaixonado pela mãe dessa tal namorada hipotética; quando rondava a casa da garota não era a garota que eu queria ver; era a mãe dela, sempre tive ciúmes do pai dela. Eu queria ser o pai da minha namorada de infância. Era um casal muito apaixonado que se abraçava pela manhã, debaixo do pé de algaroba. Eu queria ter um pai e uma mãe assim!...

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